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sábado, 21 de junho de 2008

Pensamento do Dia

Quando te assoas a um lenço de papel e sai ranhoca verde, é um aborrecimento, porque não podes esticar esse lenço depois de encharcado e deixá-lo ao sol para o reutilizar.


Pensamentos desta natureza brilhante, só mesmo estando em Barcelona.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

O mundo é redondo


Há um mês e pouco, mudei de casa. De novo. Sinceramente, acho muito injusto que não se atribuam certificados académicos com cada mudança, porque acho que já tinha direito a um doutoramento.

Senão, vejamos o número de vezes que já mudei de casa, e os seus locais:

1º - Faro - Macau
2º - Macau - Faro (Casa 1)
3º - Casa 1 - Casa 2 (Faro)
4º - Casa 2 - Braga (Casa 1)
5º - Casa 1 - Casa 2 (Braga)
6º - Casa 2 - Casa 3 (Braga)
7º - Casa 3 - Casa 4 (Braga)
8º - Casa 4 - Casa 5 (Braga)
9º - Braga - Faro
10º - Faro - Lisboa (Casa 1)
11º - Casa 1 - Casa 2 (Lisboa)
12º - Casa 2 - Casa 3 (Lisboa)

Ficaram confusos? Eu não, é por isso que merecia um doutoramento!

E, para terminar, ainda dizem que não há coincidências. Fui viver, agora, para uma rua perpendicular à rua em cuja casa fui feita... O mundo é redondo, pequenino, e eu peço aos gnomos da habitação o favor de me deixarem estar neste casa um bom tempo, porque ESTOU FARTA DE MUDANÇAS!!!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Carta a Deus


Querido Deus,

Como tens passado? Espero que benzinho.

Antes de mais, terás que me desculpar por assumir, assim sem mais nem ontem, que serás do sexo masculino, mas a avaliar pela forma como deixaste este planeta evoluir, só podes ter um cromossoma Y. Não me leves a mal.

Outra coisa que quero tirar já do caminho: vou-te tratar como se fosses o Deus dos cristãos, dado que me têm sempre dito que tu é que és o verdadeiro e os outros uma fantasia pateta qualquer. De novo, não me leves a mal, mas tendo em conta o estado das coisas, não considero isso grande elogio, mas tu lá saberás como isso te faz sentir.

Andas bem de saúde? Dizem-me que nós, reles animais humanos, fomos feitos à tua semelhança. Como não fizeste um trabalho lá muito bom, e já és velhote, fico a pensar que deves ter bicos de papagaio e artroses. É uma chatice, eu sei, mas ouvi dizer que há umas pomadinhas que te poderão aliviar (ou a indústria farmacêutica é obra daquele senhor que vive naquele lugar cheio de fumo e enxofre?)

Deves estar a perguntar-te porque te escrevo esta cartinha. Não é para te pedir dinheiro (se bem que, se te apetecer ser amiguinho, eu não levo a mal) nem é para pedir que o adversário marque menos golos, ou que os Mon Chéries se vendam no Verão também. Nada disso, eu venho apresentar, se não te importas, uma pequena reclamação.

O assunto que me está a incomodar relaciona-se com a morte. Não é que seja contra a morte, nada disso. Se abolisses a morte, tinhas que abolir o envelhecimento e aumentar o número de canais de reality television, e isso deprime-me deveras (quem é te deu a ideia, afinal de contas? Foi, desculpa a sinceridade, um bocado estúpida.)

Então, dizia eu, tenho problemas com a morte. Ou melhor, com assuntos relacionados com a mesma. Incomoda-me a parte dos resíduos biológicos. Ora pensa comigo: andamos nós, gente humana, uma vida inteira a tentar esconder o pum e o arroto, a borrifar os sovacos e a tomar banho que nem uns doidos para parecermos mais cheirosos, e vens tu e crias uma regra que estraga isso tudo depois de batermos as botas. Está mal, caramba.

Eu gostava que tu mudasses isso. Das duas, uma: ou o nosso corpo ficava para sempre igual ao momento imediatamente antes da morte (olha que era giro, e repara que até te deixo a possibilidade de aniquilares aqueles de quem gostas menos em alturas mais embaraçosas...) ou então devia-lhe acontecer qualquer coisa que eliminasse essa coisa dos gases, da putrefacção e do rigor mortis. Sei lá, assim de repente, podias fazer os corpos desaparecer, que tal? Assim, puf, foi-se, e acabou, não há cá cheiros ou as chatices de termos que os guardar num local fresquinho e depois metê-los debaixo da terra. O que achas?

Acho que te estou a dar uma ideia bem gira. Podias também aplicar isso aos restantes animais, que assim acabava essa mania que os humanos têm de matar as coisas que se mexem para as meter na boca. É o meu lado de terrorismo ecológico que está a falar, se calhar. Não me leves a mal, afinal de contas, se penso assim, dizem-me que é porque me fizeste assim (não te arrependes da tua obra? Já viste as chatices que te dou?)

Além de fazeres as coisas mortas desaparecerem, também acho que devias criar uma lei universal que defina que todos os entes queridos devam receber um sms a avisar que o seu humano se finou e fez puf. Isso implica, é claro, que dês um telemóvel a toda a gente, e que nos faças nascer com um pré-programa de conhecimento de novas tecnologias. Acho que seria um bocado chato uns saberem das más notícias e os outros ficarem na ignorância (e esses seriam os menos favorecidos, e todos sabemos que os teus favoritos são os meninos e meninas bem.)

Ah, e não achas que os restantes animais também deviam ter acesso a tecnologias especiais? Imagina o mundo colorido que teríamos se os coelhos soubessem manejar uma AK-47 e um touro soubesse que botão da central nuclear é que faz a desgraça. Não era giro?

Já agora, Deus, se não for pedir muito, já que nos deste a inteligência de sabermos inventar a poluição, não queres também levá-la com orgulho para o teu condomínio fechado? É que acho um bocado egoísta da nossa parte ficarmos com toda a porcaria e pestilência só para nós, sem te darmos um bocadinho.

Olha, de resto, é como te disse de início, desejo-te saudinha e muitos amiguinhos, e que a vida te corra bem como nos corre a nós, em especial neste país que é o meu Portugal, coisa especial e próspera.


Muito carinho,



Eu, a tua amiguinha.

Espectáculo de Rua

Há um mês, passei pela A5 de manhãzinha. Para quem não sabe, passar pela A5 (auto-estrada para Cascais) em hora-de-ponta equivale a desejar que nos arranquem um dente sem anestesia - uma dor, uma chatice, um sonho de Verão cheio de Aquecimento Global.

Antes de entrar na auto-estrada propriamente dita, nós, condutores torturados, temos que passar por uma pontezinha. Essa pontezinha, como todas as que se prezem, possui um anémico passeio que a atravessa de uma ponta à outra. Outros extras incluem um gradeamento que inclina para a estrada na parte superior e grandes quantidades de monóxido de carbono, cortesia dos pouquinhos veículos que por lá passam diariamente.

Nessa manhã, eu ia com pressa. Tinha que estar num local às 9h30 e eram já 9h. Chego à ponte e deparo-me com um engarrafamento de fazer inveja a uma Nova Iorque ou Nova Deli. Cheios de originalidade, os condutores apitavam, talvez na esperança que um raio cósmico se abatesse sobre aquela zona e os fizesse levitar dali para fora. Não aconteceu.

Raios partam, pensei. Mais um acidente. As pessoas não sabem escavacar os carros em horas mais próprias, tipo... quando EU não estiver a passar? O mundo é tão injusto.

Lá seguimos todos, a farejar as traseiras de metal uns dos outros, cada condutor a passar o tempo da melhor forma - tirar coisinhas verdes do nariz, pentear o cabelo, cantar. Pessoalmente, gosto-o de passar a tentar nunca travar e rezar para que haja entidades divinas que gostem de mim e me salvem da desgraça (infelizmente, esta resolução nunca foi muito longe, sendo eu uma céptica... que pena.)

Como é normal, todos gostamos de especular acerca do que estará a fazer demorar o trânsito. Será um choque em cadeia? Um camião cheio de combustível? Uma trotinete? Quando cheguei ao local propriamente dito, vi a razão de ser daquela confusão toda e ia-me dando um treco: acidente? Nada disso. Carros partidos? Nem um.

Era um tipo que estava do lado de lá da cerca, descansado da vida, com ideias de se atirar dali para baixo!

Sinceramente, nada tenho contra o suicídio, da mesma forma que nada tenho contra quem emborca colesterol puro ao pequeno-almoço: cada qual faz o que entender com o seu belo corpinho, desde que não me chateiem. Contudo, naquela manhã em particular, eu estava chateada! Mas quem raio era o tipo para empatar o trânsito assim?! Ao menos que o fizesse atirando barras de ouro à malta!

Quem é que se decide atirar de uma ponte em hora-de-ponta? Um tipo com pretensões a actor, decidido a fazer a actuação final da sua vida? Um chato decidido a empatar a vida do próximo? Um gajo com falta de atenção?

Era ver o homem a fumar, descontraidamente, enquanto entregava o casaco ao bombeiro que estava do lado de cá da cerca. Devia ser valioso e não convinha que se machasse de sangue. Até parecia que ia de férias, o desgraçado. Apeteceu-me baixar o vidro e mandá-lo atirar-se dali às 5h da matina, e que nos deixasse, sobreviventes, em paz e sossego.

Alguém me diz porque é que o trânsito estava entupido por causa desta criatura? Que raio de gosto mórbido é o nosso, que gostamos de ver se há sangue, tripas, ou platina no asfalto? "Senhor polícia, não se importa de atirar esse bocado de crânio para aqui? É que nunca vi miolos de gente ao vivo..."

Cheguei atrasada. Tudo por causa de um tipo decidido a fazer espectáculo. Nem sei se ele teve a decência de actuar até ao fim, ou se mudou de ideias e foi para casa, descansado, fora da hora de maior trânsito, dar de comer aos filhos e rezar para que a coisa saísse no Jornal da Noite.

Haja paciência.

sábado, 3 de maio de 2008

Pensamento do Dia

Num casal homossexual, quando há discussões...

...quem é que vai dormir para o sofá?



Obrigada, Tiago, por teres imensas ideias patetas.

domingo, 13 de abril de 2008

Ganda camelo!

Aqui há uns dias, precisei de ir à Loja do Cidadão. Diz-me a experiência que a melhor é a das Laranjeiras, pelo que lá me pus a caminho.

Resolvidos os meus assuntos, dei meia volta e eis-me de volta à porta do Metro, pronta para descer para o subsolo. Vou confiante, uma empanadilha de atum no bucho.

Antes de entrar na estação, cometo o erro de olhar distraidamente para a colina à minha esquerda, e eis que...

...vislumbro um camelo.


Pisco os olhos. Um camelo? Um camelo, sim! Ali estão as duas inconfundíveis bossas, o pêlo, como manda a música, só não sei se o dito se chama Areias, mas é, decididamente, um camelo.

Páro, com um ar ainda mais aparvalhado do que o costume. Pelo sim, pelo não, resolvo piscar os olhos, não vá estar enganada. Se olhar para os lados, talvez a miragem desapareça.

Ok, o camelo continua lá. Não era miragem, ou se era, era uma teimosa.

Dois lamas.

Dois lamas?!

Dois lamas. No meio de Lisboa.

E, para se juntar à festa, três ou quatro antílopes. Tudo ali a passear-se, perto dos prédios vizinhos. Mas que raio.

Ah, e como este não é um blog de meia tigela, reparo que, afinal de contas, há mais que um camelo a passear-se pela colina, ali está o primo, e o tio. São TRÊS camelos. Vai-me cair o céu em cima.

Enquanto estou, feita parva, parada na rua a olhar para aquele monte de terra um pouco distante, a observar os animais, vão passando pessoas, que me olham como se eu é que fosse o camelo. Ou o lama. Antílope?

Mas que raio?! Teria eu tomado a medicação toda? A medicação certa? Estariam os deuses a pregar-me uma partida horrenda? Iria eu passar a ver camelos em todas as colinas de Lisboa? Elas são sete, estou tramada!

O que vale é que há almas caridosas sempre dispostas a dar-nos esperança nos momentos mais negros da nossa vida. Um homem, fofinho, olhou para mim, olhou para a colina, percebeu o meu drama, e apressou-se a explicar:

"São as traseiras do Jardim Zoológico..."

Ah.

Assobio, como se não fosse nada comigo, e enfio-me, literalmente, no maior buraco que ali foi escavado nos últimos anos, e desapareço nas entranhas da terra, ansiosa por ir ter a outro lugar qualquer. Bah.

sábado, 12 de abril de 2008

"É para adultos?"

Há algum tempo que não venho aqui dar um arzinho da minha graça. Não é que não tenha saudades minhas (claro que tenho, ora), mas tenho tido muito pouco tempo para dar largas aos dedos e escrevinhar patetices (sim, porque as asneiras, essas, vão saindo aos magotes desta cabeça, pena é que se percam para sempre na loucura do dia-a-dia. Snif!)

Contudo, um amigo meu colocou-me hoje uma questão que me fez vir aqui quebrar o jejum. Estávamos à converseta por e-mail, quando ele nota, no fim, que eu tinha um link para este blog. "O que é isso?" pergunta ele, "é para adultos?"

Ora... boa pergunta.

Realmente, e pensando bem, é uma óptima pergunta, porque eu própria, a master mind da coisa, não sei responder. Olha que surpresa.

Sendo assim, então, o que raio é este blog? Espaço catártico, talvez. Local de muitas, mas muitas mesmo, asneiras? Também. Sítio onde despejo o resultado da movimentação dos meus neuroniozinhos que, coitadinhos, só vão até aqui? Resposta positiva.

Digamos, então, que este blog é um compêndio de parvoíces e não falemos mais na coisa. Esta parte da discussão está resolvida. Vamos à próxima.

Este blog é para adultos?

Bem... a primeira coisa que me ocorre, quando penso em "conteúdo para adultos", é pensar em pornografia. Isto não é pornográfico (se pornografia fosse descrita como "estupidez galopante em forma de texto", isto seria a genitália-mor do mundo virtual. Bom, "mor" não diria, mas talvez um rabo. Jeitoso, mas um rabo.) Não apela à masturbação. Espero eu. Se calhar apela, às vezes, ao amor, mas isso nada tem a ver com pornografia (Nota: Estão a ver? Eu sou gaja e estou a distinguir sexo de amor! O mundo vai acabar.)

Então... é para adultos? As crianças mais pequenas estão excluídas do público, porque tens que saber atar os teus próprios sapatos para conseguires perceber que mais valia teres comprado atacadores novos do que estar aqui a perder tempo. Também convém que tenhas menos que 90 anos para aqui andar, ou eu terei que passar a ter um seguro anti-ataque cardíaco, e isso era chato para a minha bolsa.

Tens que ter, garantidamente, a capacidade de resistir ao stress, mais do que se fosses corretor de bolsa. Afinal de contas, a minha vida é repleta de peripécias altamente espectaculares e quem as lê fica, invariavelmente, incrivelmente emocionado. Pensado melhor, talvez tenha que subscrever um seguro anti-ataques cardíacos e de parvoíce galopante. Eia.

Vamos, então, conceder que isto é para pessoas e que, quando é para animais, é para animais que sabem ler, ou gostam das imagens coloridas que aqui coloco, que sabem atar os seus sapatos, dão arrotos, uns peidinhos ocasionais (acabei de excluir as tias todas da Linha) e costumam comer, pelo menos, uma refeição ao dia, para não desmaiarem enquanto aqui navegam.

Pronto, mistério resolvido. Este blog não serve para nada. Assunto encerrado. Obrigada aos leitores selectos pela atenção. Ah, e para aqueles que não sabem ler, coloquei uma imagem bonitinha para vos entreter. Tudo para vosso conforto.

terça-feira, 18 de março de 2008

Os buracos de cada um

O PS, em mais um acesso de diarreia mental, pensou no que mais podia fazer para tornar o dia-a-dia do cidadão comum um pouco mais interessante e lembrou-se... dos buracos de cada um.

Haja paciência. Um Governo de Esquerda deseja entrar na minha intimidade e proibir-me de fazer piercings na língua e na área genital, sei lá porque razões. Não sei, nem me interessa. Afinal de contas, onde está essa coisa de "o corpo é meu e eu faço o que quero com ele"?

Nem é que queira furar essas zonas, mas sou do contra, e se me dizem que não, é quando me aparecem todos os argumentos a favor da coisa. Nem que o tópico seja enfiar agulhas em lugares onde, quando era criança, nunca me passou pela cabeça que pudessem, sequer, ser enfeitados com lantejoulas, quanto mais terem buracos artificiais com berloques.

Pergunto-me o que acontece àqueles que já têm os furos. São obrigados a tirá-los e a pedir desculpa por terem tido a veleidade de enfiar coisas de metal em sítios que não lembra ao diabo conservador, ou podem simplesmente atirar a língua ao Sr. Primeiro-Ministro e seguir em frente?

Moral da história: acho que este é o primeiro Governo do mundo que me quer proibir de enfiar uma barra de metal no Pólo Sul, mas que me deixa tirar de lá à minha vontade, sempre que precisar, uma criancinha às postas...

Haja uma alma caridosa

Ando tão baralhada da minha cabeça que, em vez de escrever "dentista" no post anterior, escrevi "veterinário". Já me chamaram a atenção para o facto, e a resposta segue na área dos comentários. Não quero que percam nada.

Já agora, aproveito para dizer que tenho uma prima que vai fazer as suas análises sanguíneas ao veterinário. Eu só tenho gente gira na família, pois claro.

terça-feira, 11 de março de 2008

Pensamento do Dia

Recebi um daqueles papeizinhos simpáticos com publicidade no meu carro. Sabem, daqueles que os senhores fofinhos colocam nos limpa pára-brisas alheios, sem se interessarem se os proprietários dos carrinhos querem os papeluchos em questão ou não...

Dado que ainda não inventaram daqueles autocolantes de "Publicidade, aqui não" para veículos automóveis, de vez em quando lá tenho que fazer uma limpeza étnica (leia-se, publicitária) ao meu pó-pó. Adoro. "Perca peso!" "Estás-me a chamar gorda, é?!" (o meu sonho é apanhar um destes homens a colocar um papel desses no meu carro, num dia em que esteja com SPM).

Desta vez, contudo, a publicidade era digna de blog. O tema? Higiene dentária.
A maioria dos serviços oferecidos era perfeitamente vulgar, nada que fosse digno de nota, mas houve um que me inflou a curiosidade - "Transplante de germes dentários - €47,50"

Agora eu pergunto: desculpem lá, mas eu tenho que pagar quarenta e sete euros e cinquenta cêntimos para me submeter à eventualidade de ter um veterinário potencialmente velhote, gordo e eventualmente seboso a oportunidade de me andar a dar beijos?!

segunda-feira, 10 de março de 2008

Pensamento do Dia

Após me ter passeado pela zona da Linha de Cascais e pelo Estoril, cheguei à conclusão que, a fim de manter toda a chiqueza e tradição da zona, todos os proprietários de animais de raça canina que possuam uma moradia e que nela coloquem a placa "Cuidado com o Cão" a devem substituir por uma que diga, em vez disso, "Cuidado com o Lulu."

Tenho dito, em nome de todos os tios e tias da Linha.

sábado, 1 de março de 2008

Multibanco


Há dias em que tenho material de blog somente pelo simples facto de sair de casa.

Fui ao supermercado. Podia-vos oferecer uma explicação imensamente metafísica (ou tautológica, outra palavra linda de se ter num blog, dá-lhe logo outro ar de sofisticação) para a minha ida, mas além de não me ocorrer nada, a simples verdade é que precisava de pão. E azeitonas. E pasta de dentes. E queijo. E… vocês perceberam.

No fim das compras, lembro-me que tenho uma conta para pagar, e o prazo termina nesse dia. Há ali uma máquina multibanco, portanto, não é tarde nem é cedo, lá vou eu.

Está um casal a usar a máquina. Melhor dizendo, está ela a usá-la, e o namorado/marido/amante observa e tenta ajudar. Ajuda, essa, que não parece ter tido muita eficácia, pelas razões que vos passo a explicar.

A jovem não se lembrava do seu código pessoal. Digitou um número, e o monitor mostrou a famosa frase em estilo apocalíptico: “Código errado. Dispõe de mais duas tentativas”. Ela olha para o rapaz, o rapaz nada lhe diz, ela digita novo código.

Supresa! Enganou-se de novo. “Dispõe de mais uma tentativa.” É agora, ela lembra-se! Ela digita outro número! Aguardamos todos, cheios de espectativa, pelos resultados!

Ela engana-se outra vez. A profecia apocalíptica cumpre-se, e a máquina come-lhe o cartão (na minha humilde opinião, devia ter explodido, mas não se pode ter tudo). Ela fica uns segundos a olhar para o monitor, o rapaz faz o mesmo, e constata o óbvio: “A máquina comeu-te o cartão!” Apeteceu-me bater no peito e fazer “Ugh!”, mas contive-me.

Quando se fica com o cartão retido, a máquina dá-nos sempre um recibo a comprovar o sucedido, não porque possamos estar demasiado bêbados para nos lembrarmos da coisa no futuro, mas porque os senhores dos bancos não se limitam a acreditar em nós quando lhes apresentamos uma versão ligeiramente mais adulta de “o meu cão comeu-me os trabalhos-de-casa.” O recibo é, portanto, uma coisa boa, não um bicho mau que nos castiga. Vamos todos repetir, para a tal jovem perceber. Vá, em uníssono: Recibo Bom! Recibo Amigo!

Acham que ela percebeu? Claro que não, pois. Olha para o recibo, faz beicinho, olha indignada para o rapaz (algures na cabeça dela, a culpa é dele, e agora vamos esperar que os dois não vivam juntos, senão vai ser dormir sofá por uma semana) e…

…rasga o papel. Toma, que é para aprenderes, máquina de multibanco maléfica. Morre! Agora nunca mais te lembras de me comer cartões e devolver papelinhos!

Fim da história.