Ando a ler o Therapy do David Lodge. Comprei um pacote de três livros dele por 14€ na FNAC, fiquei toda contente quando vi esta promoção, como boa viciada em livros (e compras) que sou.
Já tinha lido o Therapy em português há uns anos atrás, por duas vezes, mas achei que não faria mal nenhum dar-lhe uma espreitadela na diagonal para relembrar tudo, ainda para mais, tendo em conta que a história tem a ver com um homem que anda - como bem indica o título - num processo terapêutico, o que sempre me dava material para concordar ou mandar vir com o Sr. Lodge, tipo jogo de futebol - "está mal, pah, devia ter sido assado e não assim!"
Pois bem, mistério dos mistérios, não me lembro de rigorosamente nada do conteúdo do livro. Coisa estranha, bizarra, quase impossível! Eu recordo-me sempre de qualquer coisa, nem que seja para dizer que é uma porcaria. Ler é assimilar, afinal de contas. Mas esta obra assemelha-se à virgem nervosa na sua noite de núpcias, só que a desgraçada tem amnésia e não se lembra que fez cirurgia reconstrutiva das partes íntimas e isto afinal não é novidade nenhuma...
Assim, cá vou lendo, capítulo a capítulo, as coisas relatadas, e aqui e ali lá surgem coisas das quais me recordo, mas nem por isso consigo antecipar o que está para a frente. Tendo em conta que esta é a terceira vez com que me deparo com esta obra, há que dizer que quem começa a achar que precisa de terapia sou eu, ou de uma lobotomia.
Se calhar o livro é a metáfora da vida. Podes passar por determinada circunstância nefasta mais que uma vez, mas isso não te impede de repetir a asneira uma e outra vez caso necessário, porque nunca te lembras e não aprendes? Ou então, que a vida, muito simplesmente, nos causa amnésia? Ou que isto tudo é como um prato de feijoada, pode provocar gases mas comemos sempre uma pratada porque obliteramos as dores abdominais da nossa mente? Ou...
...ou se calhar este livro tem o condão de se afundar nas partes obscuras da minha mente e está condenado a ser esquecido logo após ser lido, tipo maldição do Faraó.
Sugestões, alguém?











