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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Parabéns...

Aqui neste nosso Portugal, somos exímios em quebrar recordes do Guinness. Ora, toda a gente sabe que quebrar um recorde exige que planeemos as nossas acções, façamos umas pesquisas, escolhamos a melhor altura para agir e, por fim, façamos a dita coisa em questão, pelo que nos poderíamos orgulhar de ser um povo pro-activo e dedicado, certo?

Errado.

Nós somos os mestres dos recordes estúpidos. Temos a maior feijoada do mundo, em cima de uma ponte. Que impressionante. Uma ideia merecedora de um Nobel. O maior presépio de chocolate do mundo (embora apetitoso, também não me parece que resolva conflitos mundiais)...

A ver se alguém se lembrou de medir a flatulência de alguém no dito almoço e a usou para encher um balão gigante! Ou dar o chocolate todo a um grupo e ver qual o que tinha a diarreia maior? Se querem recordes estúpidos, ao menos que sejam mesmo, mesmo capazes de acordar o idiota que há dentro de nós...

Outro recorde lusitano, mas este não planeado, é o do realizador de cinema mais velho do mundo. O nosso Manoel de Oliveira fez anos ontem, a bela idade de 99, e está de parabéns. Este recorde já não é estúpido, porque suponho que o Sr. Manoel de Oliveira não terá sido injectado com drogas que prolonguem a vida só para estarmos, uma vez mais, no dito livrinho (as vozes na minha cabeça insistem que há aqui uma conspiração marciana qualquer, mas eu vou ignorá-las...)


Obviamente, o aniversário do nosso quase centenário (ena, rimei!) foi alvo de notícia de telejornal, e os jornalistas aproveitaram para encadear os anos do senhor com o facto de o Governo lhe ir atribuir financiamento para os seus próximos dois filmes, sem que ele tenha que ir a concurso.

À primeira vista, esta generosidade governamental parece simpática, um acto fofinho a um record de Guinness lusitano, um acto patriótico. Certo?

Errado!

Na minha erudita e culta opinião (que é, como quem diz, uma opinião equiparada à do Zé das Iscas), isto mostra que, a dada altura, alguém do Governo se terá lembrado de referir, à boa moda portuga que, fiado, nesta Tasca, só a senhores maiores de 95 anos, e... pumba, só depois se lembraram do Manoel de Oliveira.

Por outro lado, isto mostra uma admirável confiança nas técnicas de prolongamento da vida dos médicos portugueses, porque sabemos que um filme não se faz de um dia para o outro, o que quer dizer que o nosso realizador terá que viver, pelo menos, mais uns dois ou três anos para poder aproveitar a generosa oferta do Governo, e...

...espera lá.

Ah.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Vamos dar umas férias ao Pai Natal

Fiquei a saber hoje, por uma velhinha, que a Igreja Católica não olha o Pai Natal com muito bons olhos. Pus-me a pensar nisso, e realmente há todo um maná de razões para tal:
  • o Pai Natal não molesta criancinhas (pelo menos aquele que vive no Pólo Norte);
  • o Pai Natal fica sempre com as honras todas das prendinhas recebidas, e por isso é considerado um fixe;
  • o Pai Natal não ameaça os meninos pequeninos com as chamas eternas do Inferno;
  • o Pai Natal não manda as crianças votarem neste ou naquele partido político e, sobretudo;
  • o Pai Natal só pode ser um agente de Satã, visto vestir botas de vinil e cinto de vinil... ah, grande maluco!
Tentando saber mais acerca desta ira da Igreja pelo papá natalício, puxei mais pelo assunto junto da senhora, que me afirmou que o padre da sua paróquia tinha feito um esclarecidíssimo discurso acerca da ignomínia e horror que eram os Pais Natal que agora toda a gente tem a mania de ter pendurados do lado de fora das janelas das suas casas. Pendurados, que nojo! O padre foi mais além, afirmando que até parecia que os ditos estavam a ser enforcados (eu voto mais em ele ter dito que os senhores responsáveis por essas decorações natalícias mereciam ser enforcados, mas o que sei eu?...)


E não é que eu acho que o padre tem toda a razão? Acho que devíamos dar umas férias merecidas ao Pai Natal, deixá-lo descansado lá em cima, junto com a sua esposa, sem ter que se chatear com uns milhões de putos ranhosos a pedir prendas. Proponho duas medidas alternativas:
  1. Que os padres passem a usar o dinheiro das esmolas dos santinhos não para encher a barriga, mas para comprar prendinhas aos putos das suas paróquias e;
  2. Embora passar a pendurar, não o Pai Natal do lado de fora das varandas, mas o Menino Jesus?*

E com esta acabo de assegurar que, se os cristãos estão certos e a única via do Além é o Céu ou o Inferno, eu nunca chegue a ver o S. Pedro e aqueles portõezinhos dourados que ele guarda...


*- Foi esta a moda que o Michael Jackson tentou criar aqui há uns anos, usando o filho como exemplo, mas ninguém o percebeu...

sábado, 8 de dezembro de 2007

O veterinário

Há uns poucos dias atrás, precisei de levar um gato, que não era meu, ao veterinário. O pobre peludo tem um cálculo renal e era preciso ver se a coisa estava melhor ou não. Como o veterinário não fica ao virar da esquina e o gato é gordalhufo, convinha transportá-lo de um modo qualquer que não fosse pedestre, a bem da saúde braçal dos humanos envolvidos.

O estacionamento perto de minha casa pode ser um bocado caótico, e se eu chegar depois de uma determinada hora, é certo sabido que lugares nem vê-los, pelo que às vezes fico condenada a estacionar uns bons cinco minutos de distância do meu belo domicílio. Por isso, a não ser que chova, já estou conformada com a situação e não me queixo.

O dia em questão estava límpido, por isso não me chateei com a caminhada. Combinei com o dono do gato (que mora pertinho de mim) que íamos buscar o meu carro e depois passávamos por casa dele e pegávamos no gato. À hora combinada, fizemos a viagem para a minha linda viatura.

Conversa puxa conversa, era tudo um grande "blá blá" aqui, "blá blá" ali, o tempo passou depressa. Já tinha mapeado na minha cabeça o trajecto completo, passo por aqui, viro ali, evito aquela rua que tem sempre mais trânsito...

O Blá Blá continuava. Ah e tal, o tempo, as nuvens, a conjuntura, apetece-me chocolate, já dormia uma soneca, viste a manobra que aquela besta quadrada acabou de fazer?! Isto e aquilo, o que achas de xpto, não percebo nada daquelas coisas, o que pensas tu disto aqui, e...

...e porque raio estamos nós já a meio caminho do veterinário E NOS ESQUECEMOS DE TRAZER O GATO?!

Olhámos um para o outro, semi-aparvalhados (teríamos ficado aparvalhados completos se já estivéssemos à porta do veterinário), sem saber o que dizer. O semáforo mudou e eu desatei a rir que nem uma desgraçada. Teria gostado de só ter dado conta do erro mesmo dentro do consultório...
"O que os traz por cá?"
"Queríamos que visse o animal, se está melhor"
"Que animal?"
"Er... na verdade, sotôr, têm-me doído as amígdalas... não dava uma espreitadela?... Er..."


Está matematicamente provado, eu sei bem com que pessoas me rodear, assim não me sinto a única pateta deste mundo...

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Estas fotos são para o Tiago

Bollywood em Londres! E com homenzinhos mais ou menos flutuantes! É magia!


Fotos das férias de Londres

Mais vale tarde que nunca, e eu prometi fotos das minhas férias de Verão em Londres (os sacrifícios que eu faço!), por isso aqui vão umas pitorescas.


Eu a embelezar a guitarra patrocinada pelo Sr. Robert Plant (para os distraídos, eu sou a linda mancha laranja)


O fabuloso sentido prático britânico...


Star Troopers no National Museum! (E com este comentário acabei de assegurar o meu lugar entre os geeks...)

Sou japonesa

Finalmente consegui obter as minhas fotografias das férias do Verão. Entre Londres, Faro e festival de esculturas de areia, devo ter à volta de 150 a 200 fotos.

Está visto: em matéria fotográfica, eu devo ser é japonesa...

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Pensamento do Dia ou O Horóscopo de Centro Comercial

Todo o bom português conhece o centro comercial, essa maravilha arquitectónica e consumista do mundo actual e que nós, lusitanos, consumimos com avidez sempre que podemos.

Os senhores proprietários dos centros comerciais querem a satisfação dos seus clientes e convenceram-se (e a nós, consumidores, também) que a melhor coisa é fazerem-nos sentir como se estivéssemos em casa ou, quiçá, na tasca do Primo Joaquim, onde todo o portuga bebe a sua vinhaça a martelo e come o seu pãozinho com chouriço.

Nada melhor para alegrar o Zé Povinho do que instalar televisores por toda a zona da restauração do centro comercial, para que o pobre coitado do cliente possa ter algo melhor que fazer do que conversar com a esposa ou os filhos, com quem teve a obrigação de ir comprar uns trapinhos. Ah, aqueles olhares vidrados nos ecrãs, aqueles "ãh?" dirigidos aos restantes membros da mesa!

Tudo isto para dizer que estava numa zona dessas, e resolvi ter o maravilhoso comportamento de seguir a manada e olhar para o televisor e ver que sapiências tinha para me contar. Achei o horóscopo. Maravilha!

O horóscopo do centro comercial apenas fala de amor, porque o portuga só quer saber do Cupido (ou isso, ou os donos daquilo têm medo que o Oráculo fale de Finanças, diga que é melhor poupar guito e lá se vai a febre consumista...). Todas as entradas para cada signo começam, invariavelmente, com um "no Amor" isto, "no Amor" aquilo...

Eu li isto um destes dias:

"Sagitário:
No Amor, guarde algum tempo para estar consigo mesmo."

Agora eu pergunto: porque raio fazem os senhores dos centros comerciais convites abertos à masturbação do Sagitário?!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Pensamento do Dia

Se eu vejo uma mulher na rua com as pernas imaculadamente depiladas...

...porque raio ela tem um buço que rivaliza com o bigode do Quim Barreiros?!

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Pensamento do Dia

“Posso-lhe pagar uma bebida?

Não obrigada, mas posso ficar antes com o dinheiro?”

George Carlin, esse comediante genial.

domingo, 7 de outubro de 2007

Chazinho

Ontem de tarde senti-me ligeiramente indisposta. Resolvi acalmar a coisa deitando-me um pouco. Mais para o fim da tarde, senti fome e perguntei à minha mãe o que podia comer (em jeito de dica, pois claro, "oh pra mim aqui toda desprotegida e a necessitar de alimento na caminha..." - afinal, se vou passar o fim-de-semana com a família, que seja para ter mimos!) Ela aconselhou-me uma torrada e um chá.



Minutos depois, aparece ela no meu quarto com um tabuleiro, uma torrada e chá dentro de um bule de porcelana fina, com uma chávena a condizer. Tudo cheio de finos e chiques, portanto.

Sinceramente, fiquei assustada. O habitual seria uma reles caneca, nada de porcenas estilo Limoges e paninhos de linho por baixo... aquilo era atenção a mais!

Cheguei à conclusão óbvia: se quando estás mal-disposto te dão mais do que aquilo a que estás habituado/a, não é porque estás a ser mimado/a, é porque estás a MORRER!!!

(Moral da história: problemas de tripas podem subir à cabeça...)

Imagem retirada daqui.

Algemas

Fui há dias com uma amiga a umas lojas ver coisas inúteis e, como sou um ser maravilhoso e fofinho, ela resolveu presentear-me com qualquer coisinha. Eu, por pudor, recusei terminantemente a oferta… durante dois segundos. A oferta foi um par de brincos com um conceito que eu achei fabuloso e potencialmente passível de ser comercializado para outros fins.

O raio dos brincos são brilhantes, na minha humilde opinião, porque são umas pequenas algemas presas por umas correntes, com chaves e tudo! São tudo o que uma rapariga pode querer em 1,5cms de diâmetro. Os meus lóbulos até estremecem de importância quando os coloco…

Ao olhar melhor para os meus recém-ofertados berloques, reparei que os fabricantes levaram a coisa ao ponto de as algemas funcionarem – elas abrem e fecham, tal como as verdadeiras. Como gosto de ocupar o meu dia a ter ideias perfeitamente inúteis mas claramente milionárias, elaborei uma pequena lista de situações nas quais aqueles brincos seriam extremamente úteis e, porque não dizê-lo, completamente indispensáveis:
  1. Mulheres-polícia: era lindo as nossas agentes da autoridade andarem com aquelas coisas penduradas nas suas orelhinhas. Era uma forma de matar dois coelhos numa cajadada, porque ficavam com um ar mais fashion (e uma mulher-polícia precisa, obviamente, de o ser, por razões que neste momento não me ocorrem) e ainda passavam a ter formas de prender os dedos mindinhos dos malfeitores em dois segundos. Beleza e segurança num só gesto, que maravilha;
  2. Festas fetichistas: podemos dizer com alguma segurança que os brincos-algemas fariam furor em festas do fetiche – “Ai recusas-te a lamber a sola dos meus sapatos?! Então toma!” e zás, algemavam-se os dedos mindinhos do menino mal-comportado a uma pessoa que tivesse como passatempo explicar pormenorizadamente como se processa o fascinante mundo do clister;
  3. Vingança: uma mulher despeitada pelo ex-companheiro pode sempre mostrar os brincos a outras mulheres e espalhar o rumor que, uma vez, lhe conseguiu prender o pénis com aquilo (lembram-se? Um centímetro e meio)… e ainda sobrou espaço.
Vêem como uns acessórios despoletam ideias magníficas? Agora espalhem-nas pelo mundo.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Os elfos do combustível

Aqui há um par de dias, acendeu-se no meu carro aquela luzinha laranja, minúscula mas irritante, que me indicava que tinha o combustível na reserva. Raios, pensei, lá tenho eu que ir meter gasóleo. Detesto meter combustível no carro, e sempre que a luz se acende tenho a sensação que oiço o carro a rir-se e a gozar-me (não, não preciso de consultas psicológicas... acho).

Não sei que tipo de aversão é a minha, mas detesto meter combustível no carro. Detesto pegar na agulha, ouvir aquela vozinha feminina electrónica a dizer-me "pode abastecer" (como se eu precisasse da tua autorização, oh gaja!), ter que esperar até a agulha saltar, irritar-me porque o preço não é certo, insistir que cabem mais umas gotinhas para a conta ser redonda, deixar cair à última da hora uma gota na mão e ter que a limpar compulsivamente ("Argh, que este cheiro não combina nada com a minha toilette!"), fechar o carro, ir pôr-me na fila para pagar, voltar ao carro, abri-lo, ir embora...

Como é óbvio, eu tento atestar sempre o carro, assim evito ter que passar por esta situação muitas vezes. Ora, dado que recebi, há uns dias, uns cupões para descontar no preço do combustível, resolvi que os ia gastar, e tinha que ser numa empresa específica. Quando precisasse, pensei, ia à bomba e resolvia a coisa.

Pois bem, entrei na reserva numa altura em que não havia nenhuma bomba daquela marca por perto, de modo que fui esticando o gasóleo. "Só mais um quilómetro, anda lá..." Infelizmente, a reserva tem os seus limites e, para não acabar na berma da estrada com aqueles lindos coletes amarelos, resolvi ir a uma bomba na auto-estrada e meter €5 de combustível, só para remediar.

Acabo de ligar o carro e, sem demasiada surpresa, o ponteiro do combustível não saiu da reserva. Bem, paciência, quando voltar do trabalho logo atesto o carro na bomba que me interessa.

Chegada ao trabalho, estacionei o carro e pus-me a caminho do escritório. Até aqui nada de novo, nem de extraordinário. A parte misteriosa foi quando voltei a ligar o carro, e charã!, já não estava na reserva! Fabuloso. Andei mais um bocado com o carro, naquela de ver se o sacaninha metálico voltava a gozar-me e acendia a luz da reserva, mas... nadinha. Continuava com quase um quarto de depósito.

Tive um par de dias para cogitar sobre o assunto, e cheguei a uma conclusão brilhante e óbvia: foram os elfos do combustível que me puseram mais gasóleo! Se o detergente Presto tem os glutões que comem a porcaria das roupas, o Pai Natal tem os seus ajudantes e a Mãe Natureza tem as suas fadas, porque raio é que as companhias petrolíferas não podem ter os elfos do combustível? Aposto que nunca pensaram nisso, pois é. Valham-se as mentes brilhantes como as minhas para vos iluminar.

Pois bem, espero que os elfos do combustível me voltem a visitar de novo. Pelo sim, pelo não, estou a pensar enfiar umas bolachas de chocolate pelo depósito do carro adentro, para lhes adoçar a boca e convencer a, da próxima, me atestarem o veículo, em vez de me deitarem umas míseras gotinhas a mais. Forretas...