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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Sim... e agora?

Ontem, com a mania que sou uma cidadã consciente e tal, meti-me no autocarro em direcção ao Algarve e fui votar. O autocarro ia cheio, e gostava de pensar que era também com coleguinhas de voto, mas duvido, avaliando pela percentagem de abstinência que se verificou, bem à portuguesa.
Desta vez, o portuga não teve a "desculpa" de que estava um lindo dia para ir à praia, ou que estava um nevão tal que impossibilitava a sua saída de casa. Muito honestamente, desilude-me ver que as pessoas se desinteressam pelo processo democrático de voto, que é aquilo que define a nossa liberdade de escolha. Num tema tão polémico como o aborto, não deveria haver questões de evitamento ou de preguiça, devia haver, sim, uma mobilização para cada um dizer de sua justiça o que quer para o país.
Enfim, todas as coisas consideradas, quer concordemos ou não com o resultado do referendo, ganhou o "Sim." Quem não votou porque não quis, não tem o direito de discordar ou se felicitar demasiado com o sucedido, dado não ter tido uma participação activa neste processo. Contudo, temos agora um novo passo, que nos coloca algumas questões para o futuro:
  1. Agora que ganhou o SIM, isto quer dizer que acabaram os referendos a este tópico, ou que, à semelhança do anterior, daqui a uma década temos outro a perguntar aos portugueses se mantêm a sua convicção?
  2. Há propostas concretas e exequíveis para avançar com a IVG em estabelecimentos de Saúde autorizados, a lançar em tempo oportuno, ou também temos que esperar uma década para serem implementadas?
  3. Como vão fazer com os hospitais que, em massa, se declaram, antes do referendo, objectores de consciência? Obrigar os médicos a deixarem de o ser (algo que considero difícil e imoral, afinal de contas, todos temos direito à nossa opinião, seja ela qual for)? Contratar médicos que não o sejam para esses locais, transferir alguns que o são para outros locais?
  4. Como se processa isso com o pessoal de Enfermagem? Têm direito de se afirmarem objectores de consciência também?
  5. Os processos médicos vão ser confidenciais?
  6. Quanto vai custar uma IVG numa clínica privada?
  7. Agora que referendámos o "botão", podemos passar a falar do "fato", isto é, é desta que o Governo resolve apostar na educação sexual, para tornar quem tem ou deseja ter relações sexuais, pessoas responsáveis e conscientes?
  8. Como consegui eu escrever este post de forma tão adulta? (desculpem, mas não resisti...)

Posto isto, resta-me dizer que fiquei satisfeita com os resultados, apesar de ter achado que os argumentos, aquando das campanhas para ambos os lados, terem sido perfeitamente disparatados (salve-se a participação do Prof. Doutor Pinto da Costa - não, não é o Jorge Nuno! -, que foi a única lúcida e informada, na minha humilde opinião).

Agora, resta-nos esperar para ver. Espero que todo este processo seja tomado de forma adulta e que não haja as habituais trocas de galhardetes entre o "sim" e o "não", nem que se transforme esta questão de saúde uma cruzada religiosa, espiritual ou política. Sim, porque isto apenas começou... Juntemo-nos para evitar que sejam necessários fazer abortos - apostemos na informação da populaça!

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