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quarta-feira, 21 de março de 2007

Primavera ou A melhor forma de entrar nesta época do ano


Todos sabem que a Primavera começou ontem, dia 20. Eu poderia escrever uma prosasita toda catita acerca desta linda estação do ano, o calor, as abelhinhas e as flores, e coiso que tal... mas não. Em vez disso, vou-vos regalar com um episódio totalmente hipotético que, por sê-lo, na verdade não aconteceu... ahem.


Ora bem, passo a relatar: a je dirigiu-se (hipoteticamente, eu recordo) ao El Corte Inglès para fazer umas comprinhas, decidida a rechear a sua despensa com artigos de primeira necessidade - papel higiénico, tofu, legumes, bolachinhas, manteiga, queijos, etc. Demorei o tempo que foi necessário para adquirir as minhas coisas, paguei, dirigi-me à saída para o Metro... e foi aí que, hipoteticamente, começaram os problemas.


Bip bip bip! O alarme soa. Raios, pensei eu, lá tenho que parar e fazer ver ao segurança que não sou prima do Bin Laden ou uma cadastrada de primeira. Felizmente, estava com as minhas roupas à Dra Leonor, pelo que haveria mais hipóteses de me levarem a sério e de não manchar a minha imagem com coisas fúteis.

Pois bem, toca a passar os sacos, um a um, pelo alarme. O papel higiénico não era. Ufa. Os queijos também não.

Bip bip bip! Um dos sacos acusou-se. Seria a espuma de barbear? Seriam as lâminas de barbear? Não! Eram os famigerados preservativos! (Pai, se estás a ler isto, lembra-te que isto nunca aconteceu e é tudo fruto da minha imaginação adolescente... e a culpa é da Primavera...) Lá estava o segurança, de embalagem de borrachinhas na mão, a passá-las pelo alarme duas ou três vezes, enfaticamente, para ter a certezinha absoluta que era aquele o responsável pelo soar das campainhas. E, para quem não sabe, a saída para o Metro, fica mesmo em frente a uma zona super chique de restauração. Foi o delírio, a loucura. Ou antes, sê-lo-ia se isto se tivesse passado, evidentemente...


Estas situações hipotéticas só acontecem comigo, francamente...

sexta-feira, 16 de março de 2007

Telefonema - As Sequelas Que Nunca Morriam

Juro que não inventei isto. Decididamente, os deuses insistem em me dar material para vos deleitar...

Recebo hoje um telefonema, que correu desta forma tão fluida e mágica:

EU: Estou?
FULANO: Boa tarde, daqui fala do [nome da instituição], estou a falar com a Leonor Canudo?
EU: ... (a pensar se isto não será para os Apanhados) Desculpe?
FULANO: Leonor Canudo?
EU: (com uma vontade de me rir gigante, mas a tentar dominar-me. Eu dou-te o canudo!) Embora até possa ser parecido (imeeeenso!), o meu apelido é Calaça... mas pelo menos chamo-me Leonor...
FULANO: Aah... então é engano...
EU: Bem, mas eu chamo-me Leonor, haverá possibilidades de...?
FULANO: (cheio de vontade de se rir também) Então muito obrigado, desculpe!
EU: (quase a desmanchar-me e estragar o ar doutoral todo da conversa) Boa tarde...

Mas isto acontece-me só a mim, ou acontece-me só a mim? Canudo!

domingo, 11 de março de 2007

Carnaval é quando uma mulher quiser...

...e eu quero que seja hoje, pronto!


Eu sei, eu sei, trato-vos demasiado bem, até vos dou arte a ver. Aproveitem, que qualquer dia fico rica e cheia de meias novas e depois já não vai ser possível maravilhar-vos com estas pequenas coisas do quotidiano...


Ah, e para quem não sabe: o presidente do Banco Mundial fez recentemente uma viagem à Turquia e, lá, resolveu cometer o erro de visitar uma mesquita - digo erro porque, ao contrário de mim, que apenas tinha a meia rota no pé direito, o senhor tinha ambas as unhacas de fora. Uma ainda se aceita, pode ser considerado um fashion statement, mas duas... quer dizer, é preciso ter pudor e não mostrar logo os dedões todos, estraga o suspense da coisa... E, claro, sendo ele um homem todo importante, as fotos do evento (e seus respectives chispes) correram mundo. Resultado: algum simpático fabricante turco ofereceu-lhe uma dúzia de meias, garantindo-lhe que, se o produto dele tivesse sido originário de lá em primeiro lugar, nada daquilo aconteceria...


Agora eu pergunto: porque raio não me aparece um simpático turco e me oferta um parzinho de meias?! Eu também mereço, ora...
(não consegui arranjar as famosas fotos do presidente do Banco Mundial, se alguém tiver um link que me mande, eu agradeço...)

sexta-feira, 9 de março de 2007

Pensamento do Dia

Se eu comesse tarte de camelo, tirava-lhe as bossas primeiro antes de dar a primeira garfada.

Filosofia de bolso ou A arte de ter uma (des)conversa fabulosa

Há coisas na vida que são de extremo interesse, e uma delas é a arte da conversação absurda. A conversa absurda entretém a mente irrequieta na viagem do autocarro, na fila do pão e junto dos amigos mais esquizóides. Ora, é precisamente acerca desta última equação que é este post; acompanhem-me ao mundo das cogitações dos meus amigos e... pasmem-se, maravilhem-se, ou chamem a carrinha dos senhores das batas e tranquilizantes.


Era uma sexta-feira à noite (o que pode explicar muita coisa) e aquele grupo de pessoas consideradas, pelos seus empregadores e demais, bastante normais, resolveu introduzir uma questão essencial na vida de qualquer ser vivente e biológico: "Se tivesses que limpar o rabo a um legume, que legume seria esse?"




(e aqui convém introduzir uma pequena pausa e mencionar que eu não estava lá nessa noite. Sim, porque se estivesse, a coisa descarrilaria bem mais...)


Um deles pensou, pensou, e adiantou: se eu fosse limpar o rabo a um legume, esse legume seria a beterraba! Beterraba, perguntaram os restantes? Mas uma beterraba deixava o rabo roxo... Ah, replicou outro, mas isso seria se a mesma fosse cozida, ao que outro acrescenta que, além disso, a mesma teria que ser descascada. E, obviamente, se uma beterraba cozida e descascada está à mão, o rolo de papel higiénico também o estaria, e isso estragava o propósito de toda esta experiência imaginária... (ou não)


Sinceramente, acho que uma beterraba seria algo bastante incómodo para encostar ao rabiosque, mas isso sou apenas eu. Eu, se pudesse escolher um legume, acho que apelava ao orgulho lusitano vegetal que há em nós e apelava ao uso da couve portuguesa. Haverá algo mais poético que usar um vegetal de nome tão nosso para tratar de um incómodo no sim-senhor? Era ecológico, ora pensem num slogan ao género de "plantem uma couve e deixem as árvores em paz!" Ou ainda, "a melhor invenção desde o papel higiénico preto: a couve portuguesa verdinha e tenrinha, feita a pensar no seu conforto" (sim, porque reparem que nunca se fala em caca em anúncios de papel higiénico ou fraldas, sangue nos dos pensos... e toda a gente aprecia o politicamente correcto, especialmente quem vê televisão à hora da refeição...)


Então... convenci-vos? Já agora, aceitem o desafio dos meus amigos que não têm mais nada para fazer e digam de vossa justiça...

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Cor mariquinhas

Vou directa ao assunto: se há cor que me irrite, essa cor é o rosa. E, já que o blog é meu e eu sou má, apetece-me discorrer acerca das razões todas que me fazem detestar essa cor. Por isso, ponham os cintos e acompanhem-me nesta fascinante (ou não) viagem pela cor mais entediante da História das ditas.




  1. "Cor-de-rosa" - começamos logo com este nome altamente falacioso. Já repararam que, quando se fala em rosas (a flor), pensamos imediatamente nas rosas vermelhas? Isto se formos pessoas normais e saudáveis e nada patetas, claro. Vermelho, essa cor fabulosa que desperta paixões e já fez cair Impérios (antes que um historiador qualquer me queira corrigir, aviso que estou a dar uma de José Hermano Saraiva e inventar os factos à medida da minha imaginação). Isso sim, é uma cor de gente crescida.

  2. Cor de menina - falando em gente crescida, já repararam que todas as mães adoram vestir as suas criancinhas do sexo feminino de rosa? Será uma forma de assegurar que elas nunca brinquem com tractores e Action Men? Obrigada mãe, por nunca me teres vestido de rosa e por me teres deixado brincar com G.I. Joes. Isso explica tanto acerca da minha pessoa.

  3. Rosa é um vermelho mal sucedido - para mim, o cor-de-rosa foi, em tempos idos, quando os deuses ainda povoavam a Terra, uma cor deslavada (tipo bege) que quis ir mais longe. Era uma cor com ambições, com pretenções a chegar a algum lado e ser alguém. Tanto se esforçou que começou a mudar, a mudar mesmo para melhor, quando sofreu um desgosto qualquer e se ficou pelo meio termo. O seu objectivo era o vermelho e ficou-se pelo primo afastado, rosa. Pensando bem, isto podia ser uma alegoria acerca de tanta coisa na vida de tanta gente...

  4. Rosa tornou-se popular através da malícia - "já que não posso ser uma cor famosa e deslumbrante, vou conquistá-los por outros meios! Vou fazê-los pensar que rosa é fixe e fazer disto moda! Muahahah!" E assim começaram as modas patetas de meter cor-de-rosa em tudo o que é coisa. Ah, e também foi assim que o Bush, Jr. fez campanha para a presidência dos EUA e ganhou...

  5. Rosa já é cor de gajo - depois de ter visto um bom amigo meu (que conheci na sua fase metaleira) com uma camisa rosa, tive que me render e perceber que esta maldita e venenosa cor já se inflitrou também nas hordes masculinas. E, convenhamos, um homem tem de estar mesmo seguro da sua masculinidade para vestir cor-de-rosa com descontracção (ou isso ou mostrar à namorada que a ama, se a camisa for ofertada por ela). Falando em camisas e abrindo um parêntesis, gostava que algum elemento do sexo masculino me dissesse se seria capaz de usar uma camisa de padrão de pele de cobra em qualquer cor, e que cor seria ela. Estou a fazer uma sondagem. Obrigada.


  6. Já não sei o que mais dizer desta cor feiosa.

Posto isto, eu gostava de dizer que lamento que o rosa não tenha chegado a vermelho, que lamento que a moda goste tanto dela (cor de vómito de camelo também me parece ter potencialidades e não vemos o Gaultier todo excitado com ela, não percebo) e que não haja um fenómeno cataclísmico qualquer que faça com que o raio da cor caia em desgraça.


(imagem: http://www.gaffer.org.uk/images/pink_bike_ride/PINK%20BMX.jpg)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Telefonema

Tinha-me esquecido de partilhar convosco este lindo telefonema, o que foi uma grave falha, dado que contribui sempre para a educação de todo o menino e menina lusitano. O tema será "a entrevista de emprego", só para vos localizar no tempo e no espaço.

ENTREVISTADORA: Boa tarde, estou a falar com a D. Maria Chalaça?
EU: Calaça.
ENTREVISTADORA: Como?
EU: C-a-l-a-ç-a.
ENTREVISTADORA: (resolvendo passar a ignorar o apelido, porque devia ser demasiado complicado) A Maria tem disponibilidade para vir a uma entrevista de emprego amanhã?
EU: Sim, tenho, desde que seja de manhã. E, já agora, se não se importa... é Leonor.
ENTREVISTADORA: (se calhar a dar o tilt) Como?...
EU: Prefiro que me chamem Leonor, se não se importa.
ENTREVISTADORA: (tom de voz espantado) Quer que a trate por Leonardo?!
EU: (estarei na Twilight Zone sem saber?) L-e-o-n-o-r. Leonardo é só depois da operação.
ENTREVISTADORA: ?
EU: Deixe lá. (Sou uma incompreendida, penso, dramaticamente) Sim, posso ir. A que horas?

Agora deixo para a vossa imaginação se fiquei com o dito cujo emprego...

Mais uma para vos alegrar do Dia dos Namorados

Sim, eu sou insistente e quero voltar a bater na mesma tecla. Só porque posso!

Aprendi mais um trivia de S. Valentim, para alegrar todos os gatos metaleiros deste universo. Aqui vai:

- Sabiam que o São Valentim, padroeiro dos namorados, também é o padroeiro dos epiléticos e da peste negra? Ah pois é!

Da próxima vez, se eu vos desejar um bom dia de peste, já sabem que é do fundo do coração e cheio de carinho...

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Bzzz

Quem é que consegue ter mosquitos no seu quarto em pleno Inverno, no Algarve, quem é?
Quem é que consegue fazer uma mísera sesta de meia hora e ser castigada pelos deuses com uma mordidela mesmo a meio da testa, quem é?

Eu não, claro que não.

Romance a granel


O dia de S. Valentim é amanhã, e é amanhã que inúmeras fêmeas e alguns machos se regozijarão com as oferendas dolorosamente oferecidas pelos seus respectivos companheiros. Naturalmente, no desinteressado interesse de facilitar a vida aos pobres pombinhos, a indústria do comércio contribui com umas sugestões humildes. Tudo isto, evidentemente, a pensar no romance. Nada mais que o romance. Pois.


Pessoalmente, fico com urticária perante o respectivo dia. Dizerem-me que tenho o dever e a obrigação de provar o meu afecto com um objecto qualquer neste dia específico é como obrigarem-me a ler Os Lusíadas do 7º ao 9º anos, e sempre os mesmos cantos e com as mesmas explicações. Ou isso, ou cólicas.


Quem quiser entrar no espírito da coisa de forma singela - ofertando uma única flor, uma estrela ou outra coisa qualquer embevecida - é, prontamente, apelidado de forreta. Se amas a desgraçada da moça, pah, tens que lhe oferecer um Lamborguini. E tu, gaja, se não lhe ofereceres uma boneca insuflável ou uma noite de sexo tórrido, és frígida, desgraçada e nunca mais o São Valentim te dará prendas ou namorados ou maridos de jeito (à semelhança de um Pai Natal irritado, estão a ver).


Sugiro que, a fim de se dar maior colorido a este tão especial e fabuloso dia, Portugal adopte uma mascote para representar todo o simbolismo do romance. Em vez do idiota do urso vestido de Cupido, ou do próprio Cupido, quem nem sequer era português, o parvo, embora contratar o Major Valentim Loureiro, vesti-lo com uns lençóis à cintura, armá-lo de aro e flecha, e largá-lo na Praça do Comércio para recitar uns inspirados poemas?

Contudo, apesar de eu ter noção que esta ideia é a mais genial de todos os tempos para o dia em questão, por favor lembrem-se que o arco e a flecha devem ser de brincar, não vá o Major ter alguma ideia nefasta... Ah, e outra advertência: uma besta (instrumento de caça medieval) não é uma alternativa saudável.


Por favor tenham esta imagem linda sempre em mente amanhã quando estiverem com os vossos respectivos. Grata.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Sim... e agora?

Ontem, com a mania que sou uma cidadã consciente e tal, meti-me no autocarro em direcção ao Algarve e fui votar. O autocarro ia cheio, e gostava de pensar que era também com coleguinhas de voto, mas duvido, avaliando pela percentagem de abstinência que se verificou, bem à portuguesa.
Desta vez, o portuga não teve a "desculpa" de que estava um lindo dia para ir à praia, ou que estava um nevão tal que impossibilitava a sua saída de casa. Muito honestamente, desilude-me ver que as pessoas se desinteressam pelo processo democrático de voto, que é aquilo que define a nossa liberdade de escolha. Num tema tão polémico como o aborto, não deveria haver questões de evitamento ou de preguiça, devia haver, sim, uma mobilização para cada um dizer de sua justiça o que quer para o país.
Enfim, todas as coisas consideradas, quer concordemos ou não com o resultado do referendo, ganhou o "Sim." Quem não votou porque não quis, não tem o direito de discordar ou se felicitar demasiado com o sucedido, dado não ter tido uma participação activa neste processo. Contudo, temos agora um novo passo, que nos coloca algumas questões para o futuro:
  1. Agora que ganhou o SIM, isto quer dizer que acabaram os referendos a este tópico, ou que, à semelhança do anterior, daqui a uma década temos outro a perguntar aos portugueses se mantêm a sua convicção?
  2. Há propostas concretas e exequíveis para avançar com a IVG em estabelecimentos de Saúde autorizados, a lançar em tempo oportuno, ou também temos que esperar uma década para serem implementadas?
  3. Como vão fazer com os hospitais que, em massa, se declaram, antes do referendo, objectores de consciência? Obrigar os médicos a deixarem de o ser (algo que considero difícil e imoral, afinal de contas, todos temos direito à nossa opinião, seja ela qual for)? Contratar médicos que não o sejam para esses locais, transferir alguns que o são para outros locais?
  4. Como se processa isso com o pessoal de Enfermagem? Têm direito de se afirmarem objectores de consciência também?
  5. Os processos médicos vão ser confidenciais?
  6. Quanto vai custar uma IVG numa clínica privada?
  7. Agora que referendámos o "botão", podemos passar a falar do "fato", isto é, é desta que o Governo resolve apostar na educação sexual, para tornar quem tem ou deseja ter relações sexuais, pessoas responsáveis e conscientes?
  8. Como consegui eu escrever este post de forma tão adulta? (desculpem, mas não resisti...)

Posto isto, resta-me dizer que fiquei satisfeita com os resultados, apesar de ter achado que os argumentos, aquando das campanhas para ambos os lados, terem sido perfeitamente disparatados (salve-se a participação do Prof. Doutor Pinto da Costa - não, não é o Jorge Nuno! -, que foi a única lúcida e informada, na minha humilde opinião).

Agora, resta-nos esperar para ver. Espero que todo este processo seja tomado de forma adulta e que não haja as habituais trocas de galhardetes entre o "sim" e o "não", nem que se transforme esta questão de saúde uma cruzada religiosa, espiritual ou política. Sim, porque isto apenas começou... Juntemo-nos para evitar que sejam necessários fazer abortos - apostemos na informação da populaça!

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Etiqueta?...


Como nem só de disparates vive o homem (vive também de gatos e, ocasionalmente, de piolhos), por isso resolvi colocar aqui um factor de irritação profunda com que me deparei há dois dias.
Recebi um mail dos Bichanos do Porto com um artigo de uma senhora que escreve para a revista do jornal Sol. Esta senhora, aparentemente, tem o propósito de dar noções de etiqueta aos seus leitores; desconheço se das outras vezes o seu papel foi bem sucedido, mas posso mostrar como NÃO o foi desta vez.


Como não pude deixar de passar isto em branco, resolvi escrever à autora em questão e dizer-lhe umas coisinhas. Vou viver perigosamente e colocar aqui o dito e-mail:


"Cara Sra,

Tive o desprazer de ler a sua rubrica "Consultório de Etiqueta" intitulada "O Insuportável Gato". Sinceramente, gostava de saber onde adquiriu a sua fabulosa qualidade de enxovalhar os ditos animais (e, por arrasto e sem pudor, todas as pessoas que gostam dos mesmos), dado que a sua "escola de etiqueta" ficaria, decerto, encantada com a sua aluna pródiga. Ser capaz de, em breves linhas, ser pretensiosa, mal-educada, ignorante e incómoda é um patamar a que poucos se podem orgulhar de atingir.

Dado ser psicóloga de profissão (e sim, como deve calcular, amiga dos animais todos em geral), sugiro-lhe que adquira algumas publicações referentes a distúrbios fóbicos, para melhor poder aconselhar, da próxima vez, as pobres leitoras que tenham medos. Qualquer profissional da minha área lhe dirá que não é a fugir do objecto fóbico que se cura a fobia, muito menos quando este é inócuo. A senhora, na sua tentativa de ser empática (e, desculpe, antipática), não fez mais do que reforçar a noção que a D. Ana Isabel Lima tem dos felídeos, ou seja, piorou a vida à sua leitora.

Falando como amiga dos animais, sugiro-lhe também que pondere a sua vida caso tivesse que abdicar dos seus confortáveis desodorizantes, caso fosse pontapeteada com violência sempre que desagradasse ao próximo. Já agora, desejo, de todo o coração, que a sua esteticista nunca entre de férias, dado que poderá ser acometida de um imenso "calor peludo, imensamente repelente," coisa aborrecida para uma senhora da sua fina estirpe e belo trato social.

Por fim, e reforçando o facto de ser psicóloga, ofereço-lhe uma consulta grátis, para a ajudar a ultrapassar esse medo irracional que tem de tudo o que tem mais que duas patas. Também lhe emprestava os meus gatos, mas eles são animais sensíveis e educados, estou certa que se sentiriam melindrados com a sua presença menos peluda, mas igualmente repugnante.

Posto isto, despeço-me, desejando que a sua estadia na revista da "Sol," de futuro, seja mais produtiva e culta. Os momentos infelizes que temos na vida, quando propositadamente criados são, esses sim, uma "ordinarice indesculpável."


Leonor Calaça"



Charã! Agora vou aguardar pacientemente por todos os pedidos de desculpa dela. Ah, e claro que me vão chover propostas de escrita jornalística em imensas revistas de prestígio...